sábado, 12 de fevereiro de 2011

uma primeira vez só minha e tua




um orgasmo gozado na tropical chuvarada
fazem os pingos soar os sinos mais que àquela entrada em Belém
é a quase perfeição, como amei o meu amor primeiro
que seque uma flor me deu
mas deu-me música de uma outra e um abraço que é só meu
de repente, de novo era frio
e uma lua gelada a pedir de mim o pão em corpo e o sangue em vinho.

chego mesmo a duvidar tivesse eu direito a tão imenso carinho,
- que fazes, amigo, amor, então comigo -
ri de minha alma alvoroçada
gargalhas e brincas, a mão já entre minhas coxas nuas,
levas os lábios meus a passear por ti, para o êxtase teu
e minha glória de tua rainha ser,
ainda que só à tarde essa e por mais um dia
aquela nossa música mais ainda tocou-me hoje
pôs-me os neurônios contra a parede da memória
o som a reunir os miolos a tinir
ah! o amor a dois, ou a quantas queiras, que me inclua
eu nua, tu em mim, sempre que queira eu e queiras tu
e que assim seja, sempre pelos dias de Olorum e Ossanha
a oferenda entregue, a entrega em adoração
a temperatura em paixão incontida incinerando o corpo em febre terçã
os beijos adiando as cinzas de quarta para o carnaval seguinte
os corpos em rubro vermelho a rolar entre sussurrados uis e ais já mais gritados
um aviso que não chegou a tempo de conter os riachos do gozo
como o pomea que se antecipa à própria palavra
que se extrai do peito em dor ou lasciva penitência e cai
em cálice d’eu já bêbada
a pressão subindo, em disparada afrouxa o riso
uma gargalhada avisando que explodiu a tampa da panela de pressão
que vai custar o olho da cara limpar o teto de todo aquele feijão
que pinga à distância do nosso coito em leito esplêndido, derramado já que é
do meu coração e das minhas tantas horas de aqui contigo
quero mais, muito mais esta brincadeira sem sustos
a boca é minha e já é todo teu o meu batom
e voltarás em prejuízo com a perda de juízo meu
e se já não gostares diga já, diga logo, mas ainda não vá
pois que me inflamas, desmantela, desconjunta e encanta.
lês minha alma inteira, toda aura de senhora que ainda serei,
de ti, se rainha ainda sou, como as boas coisas de que até Deus duvida
e, sei lá porque, nem perguntei jamais
se há mais céus em nosso amor do que no paraíso haveria
sei que és simples
sei que és assim, muito bom, como as boas coisas devam ser
não cansa ainda, não pára agora, espera, pouco mais,
amplia em mim esse sentimento lindo
aumenta o volume da música
que estou para chegar, e vai ser agora, estou quase lá,
como se fosse impossível não chegar
como se fosse eu o teu mais expressivo e lascivo poema.
quem não pudesse negar ter as entranhas em fogo,
sendo a vida breve, o tempo pouco, esse amor louco
escasso ainda para tanto desejo, tanto querer a me consumir no arder
das noites que por ti guardei, veladas a velas envolta em veludo
a ouvir vozes e estrelas, louca, desatinada, perdida no éter
a ponto de fusão, errando o próprio nome que sequer é mais só meu
é também teu e do fogo dessa paixão que de mim entende tudo,
acende-me em versos, viram-me do avesso e, por todos os portais
incendeiam o gelo, destrambelham as bússolas e as estrelas
certeiras guias que eram, erram e já indicam
o equador no pólo ao sul e eu sem norte
oh! tão gentil pessoa minha e em mim
tanto sou grata a ti que desfaleço, espreguiço
já sem medo de ter errado, sem medo de culpa alguma
queira-me sempre em minha casa, que é sua casa,
dá-me teu corpo, como fosse meu corpo, sê assim generoso então
ouvi a tua música, bebi do teu suor, perfumei-me inteira de teus cheiros
da muita bondade tua, sem mais pedir licença à tua delicadeza
emproei minha canoa no rumo das delícias do teu sexo,
da tua fortaleza, do teu vigor, do teu dedicado e delicado amor.
tão singelo assim, nem parece que foi sonho de uma tarde inteira que varou a noite, rompeu a madruga e deflorou a aurora, desvirginando todos os próximos amanhãs.
e, como foi sonho, uma primeira vez sonhada, eu nunca esquecerei.
ainda que tenha as sete vidas de uma gata e que esta sempre esteja no cio.
por isso me pego rindo, zombando de mim mesma, como se
o éter me tomasse o pulso e o vácuo me trouxesse a música
dos momentos que sonhei pensando ter vivido.
tão vívido, quem sabe, terá sido...

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