sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Não esqueçam: é o aniversário de Jesus.



Vou aproveitar a data, o clima, a temperança, o bom-mocismo, os coraçõezinhos alados, os anjinhos, as petecas e as pererecas e confessar.
Vim aqui hoje com esse intuito, gratuito, fortuito, meio sem nome até, pra dizer umas verdades minhas pra todo mundo finalmente ficar sabendo mais de mim que eu mesma porque quando a gente fala quase não ouve o que diz e quem ouve fica sabendo mais de quem disse do que quem disse sabe o que fala.
Ora, crendice! Dirão, vocês.
Pavonice, diria eu noutras eras, priscas eras, já tomadas pela hera...
Era uma vez uma carrocinha cheia de repolhos, eu ia dizer.
Caiu um deles, de onde rolou um guri.
Isso contou-me um anjo brabo de espada em flama, em riste.
Esse guri era meio pardinho, feito eu, queimadinho do sol, não exatamente um filho de Sabah, mas de uma Maria moreninha, ali dos lugares próximo do oriente menor, ou médio, em que ainda hoje fazem média com as pessoas não brancas de olhinhos azuis.
Ali ninguém é branco, diria uma escritora de algum estudo, que não sou eu.
Então, do repolho que rolara da carrocinha, feito num conto de fadinhas e fadinhos, apareceu um menininho que começou a andar, começou a andar e já apanhava pra isso desde cedo como aquele que vendia laranjas pro doutor, e dava umas de quebra.

Isso tá virando uma venda, com frutas e verduras...
Então o repolhinho... digo, o pimpolhinho saiu descascando umas falas com os sábios e sabia o guri demais da conta que ninguém falava mais e se admirava da fala que o guri fazia e ele também se admirava do silêncio que os velhinhos faziam.
Bem, antes disso, que já era pelos cinco a sete anos do menino, numa noite como a de hoje, assim de fim de ano, dizem uns, outros dizem nada, ele tinha sido babado por umas vaquinhas, uns boizinhos, uns cabritos, umas ovelhinhas, umas velhinhas, uns pastorezinhos e as pastorinhas, pra consolo da lua... e umas pessoas outras num estábulo, num canto de uma cidade que tinha estrela brilhante em cima... e sinos que badalavam, blém, blém, blém...
Até pelos reis, que eram magros e magos babado fora o gorducho infante.
Daí em diante,
As lojas do comércio em geral tomaram conta dos tempos e templos e tudo virou griffe, moda...
E tal.
Jesus não merecia isso que lhe fazem hoje e chamam de natal.
Mas, como sou filha desse mundo criado, também espero um presentinho, bonitinho de valor... que fui bem comportadinha durante o ano que passou

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