sábado, 26 de dezembro de 2009

O NATAL DEPOIS DO NATAL QUE NÃO HOUVE

Faz um ano, agora.
Foi o ano em que não houve Natal, a não ser aquele maquiado, para o turista ver. Assustada com tudo o que acontecera, eu estava vivendo em poucos metros quadrados, no depósito de livros de uma editora, sem fogão, sem geladeira, sem chuveiro...
SEM JANELA!
Sentia-me uma privilegiada, no entanto, pela privacidade que tinha, pelos banhos de balde, pelo ventilador, por ter dinheiro para o restaurante e a padaria, pelo acesso em tempo integral a um computador e à Internet, depois que ela voltou a funcionar. Quando me cansava de trabalhar ao computador, esticava um colchonete de camping dentre as caixas de livros e dormia, sob os cuidados do meu cachorro, que nem adulto ainda não era.
Era bem diferente a situação das pessoas que estavam no abrigo público mais próximo, no entanto. Além de todos os desconfortos da falta de privacidade, havia as lembranças e a grande falta de perspectivas. Suas casas tinham explodido em um segundo, conforme me contou o artista plástico Tadeu Bittencourt que acontecera com a casa dele e conforme eu própria vira explodir as casas dianteiras do lugar onde morava – e as casas escorreram morros abaixo junto com os morros derretidos, e assim como as casas, sumiram também os terrenos, e já não havia para onde voltar.
Naquele angustiante tempo de Natal, eu costumava tirar um tempinho para ir lá no abrigo fazer companhia àquela gente – não havia muito o que fazer, mas eu sentava lá e eles me contavam das suas vidas, e acho que isto era o melhor que eu conseguia fazer. Lembro muito de um senhor já idoso chamado seu Jacinto, que me contava de como trabalhara a vida inteira, de como criara os quatro filhos, de como fizera a casa dos seus sonhos, de como comprara redes espreguiçadeiras para a larga varanda de 54 metros quadrados onde recebia os filhos nos dias de festa, e de como ele e a mulher se deitavam nas redes, na hora do por do sol, e ficavam olhando a paisagem e se certificando da sua felicidade...
Tudo aquilo sumira num segundo, e seu Jacinto era apenas um entre tantos, entre tantos, naquele abrigo e em tantos outros... Sou pródiga em primos, amigos, afilhados – poderia ter passado a noite de Natal em diversos lugares, mas achei que naquele ano, o ano passado, deveria estar com aquela gente naquele momento mágico que marca o meu ano. Foi bom. A cientista social Luzia e um lindo soldado de 18 anos se desdobraram na cozinha e usaram das muitas doações que a generosidade de todo o país mandara para a nossa cidade para fazerem uma ceia condigna, com quatro grandes perus recheados e mesa decorada com folhas das árvores circundantes. Eu fiquei ali ouvindo as histórias daquela gente até a madrugada, e o Natal se foi.
Faz um ano, agora.
Choveu dinheiro de todos os lados para resolver a situação de toda aquela gente que estava desabrigada faz um ano. Veio dinheiro de doações (tenho os números das contas bancárias das quais nunca ninguém jamais viu um extratozinho que fosse) e tenho cópias dos documentos de repasses de verbas milionárias que o Governo Federal fez para o governo do Estado de Santa Catarina – sempre há aqueles espíritos de porco que dizem que o governo do Estado não distribuiu o dinheiro, mas então, como é que os demais municípios atingidos pela catástrofe estão fazendo as obras e as casas necessárias? Sei que choveu dinheiro, mas os desabrigados de Blumenau, um ano depois, continuam nos tais abrigos provisórios.
Indagorinha estive num deles para fazer uma visitinha ao seu Jacinto e sua mulher, e vi bem como é: a prefeitura alugou grandes galpões (claro, houve também o escândalo dos galpões superfaturados – não é exagero meu, saiu em todos os jornais, inclusive os da situação), e lá se vive, eu diria, mais que precariamente.
Vou tentar contar um pouquinho:
O galpão onde fui é alto, com teto de zinco. Imaginem o calor que fica sob aquele zinco nos 40 graus que faz nesta cidade – forno puro! Sob aquele zinco, tabiques de madeira à meia altura dividem famílias em cubículos, onde elas se amontoam, cada um ouvindo tudo o que se passa por detrás de todos os tabiques, enquanto aquele dinheirão todo... cadê o dinheiro da reconstrução?
Seu Jacinto me falou dos três containers que servem de banheiro para aquela gente toda – quantas pessoas? 150? 200? Disseram-me que há abrigo com mais de 450 pessoas...
E então há a cozinha coletiva. As pessoas se organizaram, cada família ficou com duas bocas de fogão, e toda aquela gente cozinha e frita, frita bife, frita batata, frita banana... Todos os odores daquelas frituras todas viajam pelo oco entre os tabiques de madeira e o teto de zinco, e há um onipresente cheiro de fritura impregnando tudo, e tudo cheira a gordura rançosa, e a gente faz de conta que aquilo não está acontecendo, que se está mesmo na casa do seu Jacinto, e era assim que eu estava lá quando caiu uma chuvarada, e o barulho no zinco era tão grande que se tornava impossível continuar a conversar.
É assim que está sendo o Natal de um ano depois do Natal que não houve.
Tive a sorte de vir morar numa casinha que tem até cheiro de flor, onde crianças vem brincar na minha varanda e há até estrelinhas luminosas do lado de fora da janela. E os que não tiveram sorte, como vai ser? Estão lá, assando sob o zinco, tomando banho em containers, sem privacidade, impregnados de cheiro de fritura... As pessoas já pouco lembram deles...

Quando se fará justiça nesta minha terra?


Blumenau, 22 de dezembro de 2009.

Urda Alice Klueger
Escritora
Postado por mercadopúblicofloripasc

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Israel terrorista sequestra Jamal Juma



Jamal Juma foi preso por soldados israelenses, dia 16 de dezembro, em sua casa. Os soldados disseram a esposa de Juma que ela só voltaria a ver o marido quando houvesse uma troca de prisioneiros. Desde então, ele permanece preso e proibido de falar com um advogado ou com a família, sem nenhuma explicação oficial para a sua prisão, denuncia a Stop the Wall. Jamal, de 47 anos, dedica a vida à defesa dos direitos dos palestinos. Ele esteve este ano no Brasil, participando do Fórum Social Mundial, em Belém (Foto de Eduardo Seidl).

Redação

O governo de Israel prendeu, dia 16 de dezembro, Jamal Juma, coordenador da Campanha Stop the Wall, que luta pela derrubada do muro construído no meio do território palestino. Segundo informações do site da campanha, militares israelenses convocaram Juma para um interrogatório à meia-noite do dia 15 de dezembro. Horas depois, levaram-no de volta para sua casa. Juma foi mantido algemado, sob os olhos da esposa dos três filhos pequenos, enquanto soldados revistaram sua casa durante duas horas. Na saída, os soldados disseram a esposa de Juma que ela só voltaria a ver o marido quando houvesse uma troca de prisioneiros. Desde então, Juma permanece preso e proibido de falar com um advogado ou com a família, sem nenhuma explicação oficial para a sua prisão, denuncia a Stop the Wall.

Jamal, de 47 anos, nasceu em Jerusalém e dedicou a sua vida à defesa dos direitos humanos dos palestinos. Ele esteve este ano no Brasil, participando do Fórum Social Mundial, em Belém. Na ocasião, defendeu o boicote econômico a Israel como uma das armas prioritárias para defender os direitos do povo palestino. O foco principal do trabalho de Jamal é a capacitação das comunidades locais para defenderem os seus direitos em face de violações provocadas pela ocupação israelense. Ele é membro fundador de várias ONGs palestinas e redes da sociedade civil. Também é coordenador da Palestina Grassroots Anti-Apartheid Wall Campaign desde 2002. É muito respeitado pelo seu trabalho e foi convidado para numerosas conferências de entidades e da ONU.

Ainda segundo a Stop the Waal, Jamal Juma é o preso de mais alto escalão no quadro de uma campanha de intensificação da repressão da mobilização popular contra o muro e os colônias israelenses em território palestino. “No início, foram presos ativistas locais das aldeias afetadas pelo muro. Agora, estão sendo presos defensores dos direitos humanos internacionalmente conhecidos, como Mohammad Othman e Abu Abdallah Rahmeh. Mohammad, um outro membro da campanha Stop the Wall, foi preso há quase três meses, no regresso de uma palestras na Noruega. Após dois meses de interrogatório, as autoridades israelenses não conseguiram encontrar provas para acusa-lo e, por isso, emitiram uma ordem de detenção administrativa. Abdallah Abu Rahma, uma figura importante na luta não violenta contra o muro em Bil’in, foi levado de sua casa por soldados encapuzados no meio da noite, uma semana antes de Jamal ter sido preso, denuncia ainda a organização.

Na avaliação dos ativistas companheiros de Jamal, com estas detenções, Israel pretende quebrar a sociedade civil palestina e sua influência na tomada de decisões políticas em nível nacional e internacional. Eles fazem uma convocação:

“Este processo claramente criminaliza o trabalho dos defensores dos direitos humanos palestinos e a desobediência civil palestina. É crucial que a sociedade civil internacional se oponha às tentativas israelenses de criminalizar defensores de direitos humanos que lutam contra o muro. A política de Israel de atacar os organizadores que apelam à responsabilização de Israel é um desafio direto às decisões dos governos e organismos mundiais como o Tribunal Internacional de Justiça para responsabilizar Israel pelas violações do direito internacional. Este desafio não deve ficar sem resposta”.



Fotos: Eduardo Seidl

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Foca no gelo!

Chegando em Londres para um estágio de quatro meses na BBC.
Isso aqui é terra pra urso polar e pinguim.
Eu sou apenas uma foca.

No trem da agonia, só pensava naquilo


paixão
ciúme
aflição
queixume
treva
Inveja
Desamor
Danação
desilusão
coração
no trem
parado

Ou, simplesmente, me amar, perdoar meus defeitos, cobrir-me de beijos, me abraçar, me beijar, mesmo com pronomes mal aplicados, desejar-me todo minuto, toda hora, todo dia, toda semana, todo mês, com tpm, com m, pós m, o ano inteiro, de manhã, de tarde de noite, acordar de madrugada pra dar uma pegada, toda uma vida, inda que breve, intensa, densa, hipertensa, surreal, carnal, na páscoa, na festa junina,
no carnaval, no calor do deserto, na aurora boreal, nos quintos, nas quintas, no quintal, dizer-me versos, chamar-me sempre de amada, a mais bela, a dona única do teu coração. Tomei posse. Sou tua Eva, meu Adão. Tua Madalena, ai Jesus!

[Que se pode fazer por 12 horas num trem quw não anda como a fila anda sob um mar escuro feito um céu sem luz. Um calor do cão e lá em cima aquela água toda a menos 50 graus?]

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Oh! Que vergonha!

MAIS UMA CONQUISTA DA CIDADE MARAVILHOSA

Meus Amigos,

Após as vitoriosas campanhas pela realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014 e das Olimpíadas de 2016 na Cidade do Rio de Janeiro, conquistas comemorados pela grande maioria da população e pelos Governos Federal, Estadual e Municipal, a Cidade Maravilhosa, com o esforço de sua Prefeitura Municipal, obteve hoje mais uma vitória.
Graças à Secretaria Especial de Ordem Pública e sua Operação Choque de Ordem, os cariocas conseguiram se ver livres da música instrumental.

Representada pelo quarteto NO OLHO DA RUA, e seu repertório de Bossas Novas e Sambajazz, que tanto incomodam seus pacíficos admiradores, aos domingos de manhã na Praia de Ipanema, a música agora é também questão de ordem.
Abordados pelos fiscais da SEOP que, educadamente, solicitaram a documentação liberatória do evento, os músicos apresentaram o Nada à Opor, concedido pelo Subprefeito da Zona Sul, Sr. Bruno Reis, documento que até então (e há quase 13 anos) era o necessário e o suficiente. Para os que não sabem, o quarteto começou a tocar nas ruas da cidade em 1997, sempre com a chancela desse documento.
Para nossa surpresa os fiscais informaram não ser esse o documento agora necessário e... nos impediram de tocar. Confiscaram alguns materiais pessoais, nem sequer expostos, alegando estarem sendo comercializados, caso de alguns DVDs promocionais (que estavam dentro de uma pasta fechada) e camisas com a marca do quarteto (que estavam dentro de uma bolsa, também fechada).
A Cidade Maravilhosa está agora mais segura e sua população mais feliz!
Acabou-se a música gratuita aos domingos na praia!
Não mais Tom Jobim, Baden Powell, Dorival Caymmi! Não mais o sambajazz e a Bossa Nova! Não mais a desordem dos sorrisos e das pessoas cantando embaixo de amendoeiras e coqueiros. Não mais turistas dançando e pedindo “The Girl from Ipanema”
A gente só queria tocar... de graça,
Mas, a Cidade Maravilhosa está em ordem!


Paulo Rego
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vovó diz que 55 dias em Pequim é um filme tribom.

Até 25 de dezembro terão sido 55 dias de massacre da midia serra elétrica e eu vou acabar acreditando que papai noel, essa figura capetalista, existe e é do bem.
Isso me faz recordar de um comentário que fiz em 30 de novembro de 2007.

http://www.overmundo.com.br/overblog/o-texto-que-nao-saiu-sobre-a-mostra-etnografica-1#c63852

Sobre um tema outro, mas que cabe aqui feito uma bengala pra minha vovó querida.

"O formato da apresentação para mim foi dez: um diálogo que revela conteúdos partilhados, presenciados por ambos.
A conversa em si me dá uma certa curiosidade histórica.
Spartacus talvez devesse ter ficado quieto no canto de escravo dele; Jesus, Maria e José no Egito; Zumbi no cativeiro; Anastácia calado a boca, os vietnamitas felizes com a ocupação francesa, bem como argelinos, nem necessitariam os vietcongues ter expulso os estadunidenses de lá, aí eles não teriam trauma algum redivivo com derrota no Iraque, então meia-dúzia de famílias chinesas poderiam ser ainda, como parece que eram, os maiores exportadores de ópio do planeta, tuteladas pelas sete potências européias que transformaram o país da ásia no maior puteiro do mundo até 1949. Em 1959 Batista poderia ter tilintado taças com os proxenetas de Havana e Fidel ter ficado em Miami, curtindo umas férias pessoais tri-legal e, hoje, desfilaria ancião de bermudão taquitel e eu estaria de carona de motocicleta escrevendo no diário do Chê, ele ainda baforando aquele charutão.
E milhões de pessoas não teriam sido escravizadas em África, mortas a caminho dqui ou mesmo já aqui chegadas ou em lavouras, pelouros ou chibatadas, nem defendendo os ingleses pelo Brasil no Paraguai solano-guarini na súcia triple com os castelhanos.
E milhões de habitantes de aqui não teriam sido passados no sabre ou submetidos à pólvora das canhoneiras lusas, espanholas, francesas, holandesas (sempre a Europa...) as culturas (e as pessoas delas) astecas, maias, incas, guaranis, tupis...
Pensamento coroca esse meu.
A juventude, no entanto, ainda passa com o tempo, alguns valores da rebledia ou da submissão podem até mudar.
A língua portuguesa tem resistido aos modismos de redação."

domingo, 13 de dezembro de 2009

Juro que dava tudo por isso. Até me rasgava!


Braceletes criados por Awa Traore Bamako, designer do Mali


Recadinho da Bebê

Queridos habitantes (de Aruanda), chegamos a marca de 15.000 acessos!



Fomos vistos em 45 países, incluindo o Brasil, e temos habitantes da América Latina e de Além Mar.

Obrigada a todos e todas que prestigiam, colaboram, divulgam e participam ativamente da rede.



Axé



Baby Amorim

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

eita convitinho sotreta



E, depois dos salamaleques da abertura...

II Conferência Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul acontece nesta sexta-feira, dia 11, na Assembléia Legislativa. 420 delegados vindo dos municípios são esperados para o debate das propostas

Ame essa mulher


Susan Sontag na intimidade

Quando morreu, em 2004, a escritora americana Susan Sontag deixou em seu apartamento uma coleção de cem cadernos, em que começou a escrever diários ainda adolescente, aos 14 anos, e muito antes de vir a se tornar uma das vozes mais importantes dos Estados Unidos. Alguns anos depois de sua morte, o único filho da escritora, David Rieff, selecionou passagens do tesouro deixado pela mãe dentro de um armário na cobertura no Chelsea, Nova York, e editou Reborn, Diários, na tradução para o português, que a Companhia das Letras acaba de lançar.

O livro abrange o período da vida de Susan entre 1947 e 1963. No prefácio, o filho e editor Daniel Rieff diz: “Estes diários são reais e, ao lê-los, quero gritar: ‘Não faça isso’ ou ‘Não seja tão severa consigo mesma’ (...) Mas claro que cheguei tarde demais: a peça já foi encenada e o seu protagonista já partiu”.

Susan Sontag travou (e venceu) duas batalhas contra o câncer – a fotógrafa Annie Leibovitz, com quem a escritora era casada, registrou a doença de Susan em suas fotos e as publicou no livro A Photographer’s Life, não editado em português. Mas não resistiu à leucemia e morreu em Nova York, em dezembro de 2004, aos 71 anos. No dia seguinte à morte da escritora, o teatrólogo Gerald Thomas lembrou a época em que conheceu e frequentou Susan, sua então vizinha em Chelsea.

Susan Sontag publicou vários livros, entre eles, A vontade radical, Assim vivemos agora, O Benfeitor, Contra a Interpretação e Na América, pelo qual recebeu em 2000 um dos mais importantes prêmios do seu país, o National Book Award. Publicou artigos em revistas como The New Yorker e The New York Review of Books e no jornal New York Times. Foi uma das grandes críticas da ação americana no Iraque e num de seus últimos artigos, publicado em maio de 2004 no New York Times, afirmou : "a história recordará a Guerra do Iraque pelas fotografias e vídeos das torturas cometidas pelos soldados americanos na prisão de Abu Ghraib".

Diários (Companhia das Letras), de Susan Sontag, tradução Rubens Figueiredo. R$ 51,00.
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*Publicado originalmente na newsletter da livraria Blooks

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Semideusa morta ressuscita, troca de nome e casa com príncipe pelado

Cristiana era uma menina torta.
Não era físico.
Ela já se achava morta.
No aniversário de 12 anos, soprara as velinhas dizendo alto, interrompendo o Parabéns:
- Pêsames aos presentes e convivas!
- Viva! É bigui...
O silêncio medonho e constrangedor foi interrompido cinco anos depois pelo tropel de um cavalo branco, montado em pelo, ambos, cavalo e cavaleiro.
Ele encantado com a princesa mais que morta, beijou-lhe as faces rubras do calor da hora. E a retirou da rota torta.
Ela agradeceu e disse.
- Nada não, queres torta de maçã? E tem canela nela. Me chamam de Tiana, mas eu prefiro Cris.
Disse estendendo o esse como se fosse tônico. Aliás, o seu biotônico, seu reforço de identidade acabara de chegar para ficar aninhado no coração que pinoteava mais que o alazão.
Muitas vezes sonhou que era a deusa mãe do Olimpo.
E Zeus lavando os pratos a intimava:
- Não vais sair à caça Tiana (a divindade pronunciava o t feito um d, por um defeito, digamos assim, originário, primevo, porque ninguém criara o tal por qualquer genital).
Isto, no entanto, me fez esquecer que a estrada era escorregadia, o cavalo não jogara o garibaldino fora, mas as esporas foram-se por ora, até o final da missa, que não se sabia dela a metade, fomos acusadas todas pelas três carolas e por uma outra divindade.
Quando isso termina?
Não termina. Está é aumentando.
Antes, outro recado:
- Moleque é tu.
- É tu que é moleque.
- Moleque é tu!
Disseram-se um para o outro, enquanto a morta ressuscita e se abraça aflita no caboclo-príncipe-acavalado agora nela, nua em pelo, ele igual.
Pariu nove meses depois uma princesa semi-deusa maaaraaavilhoooosa!
Olhinho de butuca azulzinho e cachinhos aloirados, feita uma Anastácia, negra linda.
Seria mais ainda por não se deixar escravizar.
Bença, tio Martinho.
Já chego na Vila com a viola, tio Paulinho.
Sei que as coisas tão no ...mundo, só que eu preciso aprender.
Vida de rapariga é bruta, se não quiser ser fácil e levar marca na bunda.
É o
FIM!

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* Um conto encantado de Juliaura da Luz Bauer.Porto Alegre (RS), 03/4/2007.

sábado, 5 de dezembro de 2009

O que não faz uma rivalidade...



Camisa de colorado para a última rodada do Brasileirão.