quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Tornado Pinheirinho



Dia bão de mais da conta pras turmas do cantil
do funil
desse céu azulainil
dou muito aqui do meu cantinho de Brasil
muito desejo mais que queijo
e ainda lhes dou beijos mis a mil
pra não dizer que só falei de flores
também pra quem sente dores
e tem amores
gente de todas as genes e cores
e orientações e dissertações
nesse deserto de idéias novas
que vai se tornando a nossa prova
de desistência varonil
apanhada em calças de farda
beneficiando vacas de presépios do capital,
as parade's cow
ou coisa e tal
e mais ainda os caradepau
ajudam a desmontar o Pinheirinho
bem depois da época de natal
já os presentes reais orientais
chegados e tornados de grego
em samba enredo
de memória pouca repetido
posto que mocinho vira bandido
no rancho fundo, raso,
de rasa calamidade de prédio caído
de fundo fica imundo,
de tudo destituído
de bom costume e moral
assim isso desde quando é o mundo
gente humana não é feral.
e pronto, dei de novo, povo!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

concreta é


teu olho
no tijolo
pia olho

louça suja
a pia pinga
a borda inunda

insana, sua
transa louca

sábado, 31 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Fumacê à beira do Guaíba (nem é, tá!)

Mas bah, tchê, foi eu dar uma voltinha a trabalho pela China e África do Sul, com escalinhas na Alemanha e Inglaterra pra estágios, e umas promenades por Espanha e Portugal que, de retorno, já vejo absurdos pestilentos, dantes daqui banidos, de volta às públicas vias.



Tão ali na mais pacata serenidade os do povo dando uns resfetelos pelas margens plácidas do Guaíba, esperando o visu do sol ao pôr-se, quando, eis senão, com placa vermelha de Guaíba, tendo vindo davizinha cidade nossa, volta fazendo um fumacê que nem é natural.
Coisa de agradar a personagem do Chico... aquela que quer cheirar fumaça de óleo diesel.


Já não é a primeira vez que se vê vindo dos ares raros da Zona Sul bela da cidade, em disputa ferrenha com as espigas enormes que vão brotando junto à orla Outra história grotesca!), essa jabureca pestilenta a fumaçar no rostinho d'eu recém banhado, das gentes sofridas nas paradas de ônibus, ou nas face suadas dos pedestrianistas em exercício na Edvaldo Pereira Paiva.


Tem ninguém mais na cidade pra cuidar do tráfego pestilento dessa coisarada aí?
Qué feito da fiscalização do ambiente pela agência pública local?
Cabô?



Quando sobe o rampão vindo da Diário de Notícias pra entrar na Padre Cacique, a bicheira falta só andar de ré, resfolega, apita, chia, e fumaceia a nojeira.
Poca vergonha!
Cosa de loco!

Dia de hoje, 5 de dezembro de 2011, às 18h10min.

Vá de retro, capataz!
Saravá.
Tutufum!

(Observação, texto, imagens e semelhanças minhas: Juli Bauer.)


domingo, 27 de novembro de 2011

Novo Grupo do PT é o Socialismo 21

Bem, foi mais ou menos assim, talvez um pouco mais, bem mais ou menos. Mas, palavras não contam de toda a emoção. Por isso, peguei algumas fotos do Adroaldo Bauer Corrêa e colei aqui, pra deixar registrado o nascimento da Tendência Interna do Partido dos Trabalhadores


Socialismo 21.









Era esperado um conjunto de filiados, militantes de várias posições distintas, de idades e formações de trajetórias e funções diferentes, fundadores ou recém filiados ao Partido dos Trabalhadores, se unindo. Elói Pietá, secretário-geral representou a difreção nacional do partido. Olívio Dutra e Paulo Paim cumpriam agenda fora da cidade e não puderam comparecer. Os demais listados do convite estiveram presentes, falaram, aplaudiram e acompanharam o ato de fundação do novo grupo político do PT, que não deixou cadeira vazia no Armazém do Cais do Porto de Porto Alegre.








Jorge Branco, Nélson Silva, Altemir Tortelli, Marco Maia, Jairo Jorge, Miriam Marroni, Fernando Marroni e muitos, muitas, um bolão de outras pessoas estivemos lá. Somamos mais de 1.400 almas.









A deputada estadual Miriam Marroni foi a primeira a falar...








O governador gaúcho Tarso Genro encerrou as manifestações antes do anúncio do nome escolhido por votação para nova tendência que acabáramos de fundar no PT: Socialismo 21.


Uma idéia generosa de que importa, sim, a história, mas que o presente está por ser construído solidária e coletivamente.







Fundador do PT, Adroaldo Bauer Corrêa, como a multidão militante presente se emocionou com a corrente de energia que todas nós fizemos pela saúde de Lula... cantando Brilha uma estrela!









Um Conselho, uma Coordenação e uma Comissão executiva provisórios foram eleitos por aclamação pelo entusiasmado plenário para organizar a 1ª Conferência Nacional da Tendência Interna do Partido dos Trabalhadores Socialismo 21.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Na eira assobradada



Sei não, sei de mais nada
tá um dia de pôr o dedo na tomada
Tem espera pra mais horas
e tanto assim louca senhora
voraz a torto e a direito devora
Só sei que não demora
Sei que pra tudo tem hora
Sei nada mais de nada
nem de nadar de costas
nem de a nada dar as costas
sei de ir em frente
decadente,
crescente,
poente,
nascente e descrente
sei de um rio e de um mar
lembro como era amar
dia mais, dia menos,
duros dias, outros amenos
uma noite mais ou menos
estrela de quantas pontas
estreias de faz-de-contas
ano mais outro, lá se vai
fico, vou querendo ficar
acredito que tudo passará
mesmo o passaredo
embora sem muito medo
não sou de vacilar
que dá na mesma
igual à mesa posta
figurando doce em calda
escultura de isopor
cultura de tirar e botar
estatura de gostar
de altura e do ar
de lonjuras e de cá
de andar mesmo sem ir
de ir sem, de ficar
sem rir de nada
também de nada agradada
terrificada em água fresca
assombrada na eira assobradada.
assombrada

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Paratletas gaúchos conquistam ouro, êba!

Neste final de semana os paratletas Alexsander Celente (goalball) e Giovanna Pilla (judô) venceram em suas categorias



Na última sexta-feira (18 de novembro), a gaúcha Giovanna Pilla foi a responsável por conquistar a primeira medalha dourada do Brasil no judô, na categoria +70 kg, em Guadalajara. O caminho do ouro contou com duas vitórias por ippon, sobre a americana Katie Davies e a compatriota Deanne Silva, que terminou com o bronze.

"Eu acreditava no ouro e fico muito feliz, muito emocionada de poder levar esta medalha para casa", disse a estreante em Jogos Parapan-Americanos Giovana Pilla, atleta da ACERGS (Associação de Cegos do Rio Grande do Sul), que contou com a torcida do pai, presente ao ginásio.

E Alexsander Celente, jogador da Seleção masculina de goalball, levou o ouro e garantiu vaga nas Paraolimpíadas de Londres 2012. Foram polêmicas e reclamações durante toda a partida. Mas mesmo perdendo dois pênaltis e se queixando de outros tantos não marcados, a seleção brasileira masculina de goalball superou os Estados Unidos, sagrou-se campeã dos Jogos Parapan-Americanos. Com 5 a 3 no placar, o time verde e amarelo encerrou a campanha em Guadalajara de forma invicta e no topo do pódio.

Jogo marcado por polêmicas
O Brasil abriu o placar com menos de um minuto de jogo, em pênalti marcado por Romário. Dois minutos depois, Alexsander ampliou. Os americanos solicitaram tempo técnico e, após a pausa, empataram a partida com dois gols relâmpagos. O treinador brasileiro, Alessandro Tosim, parou o jogo para que os atletas recuperassem o rumo. A bronca deu certo, e Alexsander marcou mais dois.

Os EUA diminuiram a diferença para apenas um gol, e a comissão técnica verde e amarela foi à loucura no banco de reservas pedindo um pênalti atrás do outro. Quando os árbitros resolveram marcar a infração, Romário e depois Alexsander pararam nas defesas Tyler Merren. A 18 segundos do fim, porém, Romário conseguiu ultrapassar a barreira e confirmou a vitória por 5 a 3.

O goalball é o único esporte criado exclusivamente para deficientes visuais: Em 1946, o austríaco Hanz Lorezen e o alemão Sepp Reindle inventaram a atividade para ajudar na reabilitação de veteranos da Segunda guerra Mundial. Participam da partida atletas cegos de diversos graus, que fazem arremessos rasteiros em direção ao gol adversário com o objetivo de balançar as redes. Todos os atletas são arremessadores e defensores.
_____________________
(Assessoria de Comunicação da ACERGS)

sábado, 5 de novembro de 2011

Tô com tu, Nina! Saúde!

***

Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto

by Nina Crintzs

Há seis anos atrás eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença-auto imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos.

Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro ? na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer porque a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença. Eu tinha 26 anos. Right on target.

Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui em todos ? TODOS ? os neurologistas famosos ? sim, porque tem disso, médico famoso ? e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem.

Minha mãe é uma heroína ? mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz ? mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, ?estímulos? elétricos para ver se a partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas, crânio, córneas. Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava.

O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você ta esperando um ?mas? aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença se morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada.

O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me define, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins ? e inescapáveis internações hospitalares.
A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu ?eu não sei? mais de uma vez. Eu acho genial um médico que diz ?eu não sei, vou pesquisar?. Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum.

O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. ?Custaria? porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS?! O Sistema Único de Saúde? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer? Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que tem o mesmo problema que eu. É pouca gente? Não vale a pena? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil.

O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas ? para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$2.000,00.

Eu acredito em poucas coisas nessa vida. Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu ? e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem.

Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS ? se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, ?humor?.
Quem me conhece sabe que eu não voto ? não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tals depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.

sábado, 24 de setembro de 2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Safas

Hoje conversei com minha amiga menina bonita!
Falei: - oi gostosa! Estás bem, então, querida e amada amiga, mais que linda.
- Ai, estava precisando duma amiga gostosa e linda assim pra ir pra cama comigo e com meu namorado. Chocada?
- A trois, ele pode não gostar..
- Ele adoraria. É isso que quer. Tu é que ia querer... Ou tu que não ias gostar?
- Tens certeza, amiga. Contigo e por ti faria qualquer gesto... Muito mais de amor.
- Duvido...
- Tu comendo outro cara? Ou o cara te chupando e vice-versa? Duvido!
- Não. Pensei em nós duas, eu e tu, dando a ele os mais variados prazeres.
- Sim, com certeza... O intuito também é este... Mas ele também ia querer agrados e, bem, eu sei, tu não toparias.
- Dúvidas, querida. Mas é tentadora a hipótese, sabes. Sabes da minha quedinha por meninas, eu quase declaro isso, até recebo mimos delas... Já te contei.
- Preciso arrumar alguns parceiros e parceiras, mas tem de ser gente de confiança. Tá difícil. Vi um casal na praia ao lado do hotel. Ela fazia topless e ele fotografava. Fiquei com tesão. Noutro dia, numa caminhada sozinha pela praia, não tive dúvidas, estava deserto, ninguém viu, me pelei. Que sensação, ai!
- Manter a pose é absolutamente essencial.
- Eu amo de paixão, mas não derramo no chão...
- Nós nos derramamos. Estar apaixonada pela vida é uma maravilha.
- O menino quer te devorar, eu tenho visto. De garfo e faca, além dos olhos e do pau grande.
- Tu o conheces na vida real?
- Não, mas é como se... Aprendemos juntas, pessoas que nos damos sem fricotes, que se amam e se respeitam.
- Ele é uma pessoa maravilhosa, lindo por fora, por dentro. É gay e me ama como amiga!
Por isso faz aqueles disparates todos escancarados. É gênero.
- Bestagem. A vida é tão cheia de coisas boas e de bondades que podemos fazer. Tenho amizades maravilhosas entre homens e mulheres homossexuais. Nunca chegamos ainda a qualquer relação física. São sempre muito inteligentes e vivazes.
- Eu os amo.
- Eu as tenho em conta altíssima. Tem lutas ferrenhas pra fazer e enormes barreiras a superar.
- Isso é verdade
- Não aprecio apenas fundamentalistas, que te querem converter à opção delas.
- É. Converter não existe... Coisa de madre superiora. De padre pedófilo.
- Essas pessoas, geralmente, são as que olham as outras como se menores fossem... Preconceito puro.
- Eu gostaria de me deitar com uma mulher, embora adore homens.
- Dou-me, mas não me dou, diria... Se não vais te arrepender na cabeça e na vida, não há porque não experimentar...
- Ainda não me surgiu uma oportunidade
- Vai que gostes... Depois fica se torturando... Ela não me quer mais. Trocou-me por uma menina... Tudo igual.
- Ah, é! Essa parte do filme muda nunca. Pra homem, nem pra mulher.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

saudades tantas tenho que esquenta o tempo



o tempo de esquentar está
mais próximo que estava ontem
e mais ainda que depois de ontem pra trás
ea vida me cobra menos frio e mais calor, amor
é o que te quero dar, sem qualquer favor
meu fervor puro é por ti, juro, dou-te tudo
e posso ficar sem nada, em pelo até, danada
sem mque arrependida fique, embora ajoelhada
diga tudo o que ouvir querias de mim e mais
mais, mais, assim, assim, mais e. ai, ai, ai.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O direito autoral na WEB

Raul Elwanger, entre Jeronimo Jardim e Adroaldo Bauer


GAZETA DOS TOLOS 80 (*)
"...el que no cambia todo, no cambia nada..." (Pablo Ziegler).

O AnteProjeto de Lei (segunda versão)

sobre Direitos Autorais que está até 30 de maio em consulta pública no saite do MinCultura em geral é positivo, elimina muitos erros do anterior APL.
Mas está totalmente errado no caso da Internet (Art. 105-A). Inverteu o dever de respeitar a lei:
-libera para os provedores praticarem o delito de comercializar fonograma alheio sem pagar,
-obriga o autor a um emaranhado juridico/burocrático para somente "retirar num prazo razoavel" sem penalizar o infrator,
-cria confusão entre provedor e alojador que ira beneficiar as manobras dilatorias,
-não pune e portanto é feito para não valer.
Deveria dizer: 'é vedado colocar fonograma à disposição na internete sem autorização de autor/produtor' . Então provedores e autores/produtores poderiam negociar a hospedagem e remuneração, como é (deveria ser) no caso de radio/tv/cabo.
Como está no APL, é isso mesmo: vai continuar como está, vai seguir o atual "liberou geral".
Ficção nada cientifica.
Em 1931 (talvez) fizeram um hipotético encontro "livre" de Escritores, com José Guilderbaes de estrela, pois era muito moderno e escrevia...numa flamante Olivetti chegada da Italia, apesar de ser um escritorzinho de segunda. Com papel carbono, a máquina fazia o milagre de reproduzir o escrito por José. Uau, que modernidade ...
Mas o pobre do Dioclénio Chanado, que era um craquezasso de escritor, não foi convidado. Motivo: ele escrevia á mão, coitadinho tão obsoleto. Tem gente repetindo a bobagem (ou esperteza) hoje, usando o lerolero do "acesso digital' para surrupiar musica alheia e autoconvidar-se para eventos, de preferencia sob os generosos aparelhos alimenticios estatais/senoidais.
Desculpem as citações erradas, foi intencional mesmo.
....
Las ventas de Amazon
La distribuidora online Amazon ya vende más libros en formato digital que impresos en papel, según anunció ayer esta empresa, pionera también en la edición electrónica de textos de la mano de su lector Kindle. “Sabíamos que esto acabaría ocurriendo, pero jamás pensamos que sería tan rápido”, aseguró Jeff Bezos, fundador de Amazon, una tienda que lleva quince años comercializando libros y ya cuatro vendiendo libros para Kindle. Según las precisiones, desde el 1º de abril el sitio vende 105 libros Kindle
por cada cien impresos, pero buena parte de estos últimos son títulos que aún no tienen una versión digitalizada para el lector de Amazon. La tienda se acerca, además, al millón de textos en formato digital disponibles.
... Brasil século XXI:
vamos organizar a venda legal de musica pela WEB, remunerando autores, intérpretes, musicos, produtores e provedores normalmente ? Para os demais, como dizia Borges de Medeiros, a lei.
...
Governo do Estado do Rio Grande do Sul
criou um Gabinete Digital, voltado à "inclusão , democratização, acesso". Na parte que nos toca aos musicos e compositores, por um email do proprio Palácio de Governo (ver abaixo), soubemos da iniciativa de realizar ou apoiar (não se entende) um Festival "Livre" junto ao FSM 2012 onde serão convidados os que apóiam o suposto Movimento Livre excluindo os demais. Não tem criterio artistico, o criterio é apoiar a baixação. Então descobrimosuma nova democracia inclusiva: só para os amigos, só
para seus sectários. O Gabinete criado para dar acesso a todos exclue 98% da comunidade musical que construiu, trabalha e constroi nossa musica do sul.
Acresce que a "baixataria" atual é ilegal, é apropriação indébita, já extinta por exemplo na Alemanha atravéz de saites legais de circulação paga dos fonogramas privados.
O Governo não deveria apoiar a ilegalidade e muito menos tomar partido contra os musicos do sul.
Email da Secretaria de Comunicação do Palacio Piratini faz uma misturada de nomes, cargos e posições para dar a impressão de legitimidade e apoios, usando o nome de autoridades que desconhecem o assunto, misturados o um "cantor de Goias", um DJ ingles, o onipresente grupo Teatro Mágico de SP, para no final nos depararmos com que na verdade ninguém assina o tal documento.
Esse documento/email que anuncia evento aparentemente com aval do Gabinete Digital, evento musical que deveria ter origem na Secretaria de Cultura, só termina de entender-se com a leitura de uma entrevista do Sub-Secretario de Cultura no Portal/RS oficial do Governo do Estado, justificando o apoio a este festival de seita e assumindo os argumentos da ilegalidade contra os autores e da exclusão antidemocrática dos musicos. É bizarro: a Secretaria de Cultura não tem este evento, mas seu funcionario o publicita e justifica.
Copio abaixo caput do "lançamento". Sugiro pedir neste endereço a versão completa.
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Claudia Cardoso <claudia-cardoso@secom.rs.gov.br>
Data: 8 de abril de 2011 14:57
Assunto: Lançamento Festival Internacional de Música Livre
Para:
Para conhecimento e divulgação.
Claudia.
O "Mono" Rubén Izarrualde

Jeronimo Jardim, com Adroaldo Bauer
...
A maioria dos compositores não ganha caches, pois não faz xous.
Precisam ser remunerados ou não haverá porque criar, a não ser por prazer, para tocar em casa e para os amigos.
E os livreiros, os autores de poesias e romances, se suas obras são baixadas sem remuneração? Os provedores, se não quiserem pagar, têm como barrar o acesso gratuito às obras.
Fazemisso para evitar a veiculação de pedofilia, não fazem? Se barram a prática desse tipo crime, podem impedir outro, a apropriação das obras sem pagamento. Apropriação indébita também é crime capitulado no Código Penal. Vamos à luta, autores de obras intelectuais, não só da música. Também estão sendo atingidos.
Os criadores de obras intelectuais não podem ser os únicos sujeitos aos títulos pomposos, aliciadores dos que ignoram a questão em profundidade, tais como "democratização da cultura" e "música livre". É um socialismo parcial. Atinge somente os criadores de obras artísticas, culturais, de informação e entretenimento. Quem quiser dar suas obras, é livre para tanto. Quando me interessa, disponibilizo obras gratuitamente. Dou convite para shows.
É direito meu, como é o de cobrar pela minha arte. A criação é uma PROFISSÃO. O profissional de criação não tem obrigação que DAR o que tem para VENDER. Quem tem obrigação de DAR cultura é o Estado, como DÁ saúde pelo SUS, mas remunera seus MÉDICOS; como DÁ educação, mas remunera os PROFESSORES. Porque sou da classe das cigarras, não tenho que CRIAR, CANTAR E TOCAR DE GRAÇA.
TENHO SOMENTE QUE SER HONESTO COM O MEU TRABALHO.
JERONIMO JARDIM.
___________
Editada por Raul Elwanger

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Não vá se perder, por aí...




Se não dormes, meu bem


antes do dia clarear


aproveite o céu rosa também


assim quando o sol raiar




___

Tô dando de graça


Todo aparelho celular GSM tem um número de série. Digite *#06# e ele aparecerá no visor. É um código é único. Escreva-o e o gurde com cuidado. Em caso de roubo, furto ou perda definitiva, contate a operadora e informe o código. O seu telefone poderá ser completamente bloqueado, mesmo que mudem o chip máquina.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Os 10 piores alimentos pra sua saúde

A nutricionista Michelle Schoffro Cook listou os dez piores alimentos de todos os tempos.


10º lugar: Sorvete

Apesar de existirem versões mais saudáveis que os tradicionais sorvetes industrializados, a nutricionista adverte que esse alimento geralmente possui altos níveis de açúcar e gorduras trans, além de corantes e saborizantes artificiais, muitos dos quais possuem neurotoxinas – substâncias químicas que podem causar danos no cérebro e no sistema nervoso.

9º lugar: Salgadinho de milho

De acordo com Michelle, desde o surgimento dos alimentos transgênicos a maior parte do milho que comemos é um “Frankenfood”, ou “comida Frankenstein”. Ela aponta que esse alimento por causar flutuação dos níveis de açúcar no sangue, levando a mudanças no humor, ganho de peso, irritabilidade, entre outros sintomas. Além disso, a maior parte desses salgadinhos é frita em óleo, que vira ranço e está ligado a processos inflamatórios.

8º lugar: Pizza

Michelle destaca que nem todas as pizzas são ruins para a saúde, mas a maioria das que são vendidas congeladas em supermercados está cheia de condicionadores de massa artificiais e conservantes. Feitas farinha branca, essas pizzas são absorvidas pelo organismo e transformadas em açúcar puro, causando aumento de peso e desequilíbrio dos níveis de glicose no sangue.

7º lugar: Batata frita

Batatas fritas contêm não apenas gorduras trans, que já foram relacionadas a uma longa lista de doenças, como também uma das mais potentes substâncias cancerígenas presentes em alimentos: a acrilamida, que é formada quando batatas brancas são aquecidas em altas temperaturas. Além disso, a maioria dos óleos utilizados para fritar as batatas se torna rançosa na presença do oxigênio ou em altas temperaturas, gerando alimentos que podem causar inflamações no corpo e agravar problemas cardíacos, câncer e artrite.

6 lugar: Salgadinhos de batata

Além de causarem todos os danos das batatas fritas comuns e não trazerem nenhum benefício nutricional, esses salgadinhos contêm níveis mais altos de acrilamida, que também é cancerígena.

5º lugar: Bacon

Segundo a nutricionista, o consumo diário de carnes processadas, como bacon, pode aumentar o risco de doenças cardíacas em 42% e de diabetes em 19%. Um estudo da Universidade de Columbia descobriu ainda que comer 14 porções de bacon por mês pode danificar a função pulmonar e aumentar o risco de doenças ligadas ao órgão.

4º lugar: Cachorro-quente

Michelle cita um estudo da Universidade do Havaí, que mostrou que o consumo de cachorros-quentes e outras carnes processadas pode aumentar o risco de câncer de pâncreas em 67%. Um ingrediente encontrado tanto no cachorro-quente quanto no bacon é o nitrito de sódio, uma substância cancerígena relacionada a doenças como leucemia em crianças e tumores cerebrais em bebes. Outros estudos apontam que a substância pode desencadear câncer colorretal.

3º lugar: Donuts (Rosquinhas)

Entre 35% e 40% da composição dos donuts é de gorduras trans, “o pior tipo de gordura que você pode ingerir”, alerta a nutricionista. Essa substância está relacionada a doenças cardíacas e cerebrais, além de câncer. Para completar, esses alimentos são repletos de açúcar, condicionadores de massa artificiais e aditivos alimentares, e contém, em média, 300 calorias cada.

2º lugar: Refrigerante

Michelle conta que, de acordo com uma pesquisa do Dr. Joseph Mercola, “uma lata de refrigerante possui em média 10 colheres de chá de açúcar, 150 calorias, entre 30 e 55 mg de cafeína, além de estar repleta de corantes artificiais e sulfitos”. “Somente isso já deveria fazer você repensar seu consumo de refrigerantes”, diz a nutricionista.
Além disso, essa bebida é extremamente ácida, sendo necessários 30 copos de água para neutralizar essa acidez, que pode ser muito perigosa para os rins. Para completar, ela informa que os ossos funcionam como uma reserva de minerais, como o cálcio, que são despejados no sangue para ajudar a neutralizar a acidez causada pelo refrigerante, enfraquecendo os ossos e podendo levar a doenças como osteoporose, obesidade, cáries e doenças cardíacas.

1º lugar: Refrigerante Diet

“Refrigerante Diet é a minha escolha para o Pior Alimento de Todos os Tempos”, diz Michelle. Segundo a nutricionista, além de possuir todos os problemas dos refrigerantes tradicionais, as versões diet contêm aspartame, que agora é chamado de AminoSweet. De acordo com uma pesquisa de Lynne Melcombe, essa substância está relacionada a uma lista de doenças, como ataques de ansiedade, compulsão alimentar e por açúcar, defeitos de nascimento, cegueira, tumores cerebrais, dor torácica, depressão, tonturas, epilepsia, fadiga, dores de cabeça e enxaquecas, perda auditiva, palpitações cardíacas, hiperatividade, insônia, dor nas articulações, dificuldade de aprendizagem, TPM, cãibras musculares, problemas reprodutivos e até mesmo a morte.
“Os efeitos do aspartame podem ser confundidos com a doença de Alzheimer, síndrome de fadiga crônica, epilepsia, vírus de Epstein-Barr, doença de Huntington, hipotireoidismo, doença de Lou Gehrig, síndrome de Lyme, doença de Ménière, esclerose múltipla, e pós-pólio. É por isso que eu dou ao Refrigerante Diet o prêmio de Pior Alimento de Todos os Tempos”, conclui.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Como está a sexualidade e o corpo no futuro?



Carta de Mirian Goldenberg

Caro Arqueólogo do Futuro,
Sou antropóloga e pesquisadora do culto ao corpo, aqui no Brasil dos séculos XX e XXI. Tenho uma enorme curiosidade em saber quais serão as transformações do corpo feminino no futuro. Será que você poderia me contar? As mulheres continuam querendo ser magérrimas? Fazendo regimes malucos para não engordar? Mutilando seus rostos e corpos em busca da perfeição? Gastando muito dinheiro com produtos de beleza completamente ineficazes? Vestindo roupas de adolescentes mesmo quando passaram dos 40? Pintando seus cabelos de loiro? Querendo imitar o peito siliconado da atriz famosa ou a boca carnuda da supermodelo do momento?
Vou explicar o motivo dessas inquietações aparentemente fúteis, com a esperança que você responda que as mulheres do futuro são muito mais livres, felizes e satisfeitas com a própria aparência e forma física do que as do meu tempo.
Estudei o papel do corpo feminino na cultura brasileira em dois diferentes momentos e contextos históricos. O primeiro estudo foi uma análise da trajetória de Leila Diniz em tese de doutorado. Quando, em 1971, Leila exibiu sua barriga grávida de biquíni, na praia de Ipanema, escandalizou e lançou moda. Foi capa de revistas e manchete de jornais por ter sido a primeira mulher a não esconder sua barriga em roupas largas e escuras, consideradas mais adequadas a uma grávida. Não só engravidou sem ser casada como exibiu uma imagem concorrente à grávida tradicional que escondia sua barriga. A barriga grávida materializou, objetivou, corporificou seus comportamentos sexuais transgressores. Ícone das décadas de 1960 e 1970, Leila Diniz tornou-se símbolo da mulher carioca, que representava, melhor do que qualquer outra, o espírito da cidade: corpo seminu, sedução, prazer, liberdade, sexualidade, alegria, espontaneidade.
Em outra pesquisa, situada no final do século XX e início do XXI, constatei que a preocupação com a aparência e a juventude era uma verdadeira obsessão entre as brasileiras, provocando uma permanente insatisfação com o próprio corpo. O corpo de Leila Diniz (e de muitas mulheres de sua geração) era um corpo voltado para o prazer, para o livre exercício da sexualidade, que exibia sua beleza e plenitude à luz do sol. O corpo das mulheres da geração seguinte era um corpo controlado, mutilado, que preferia a escuridão para esconder suas imperfeições. Em pouco mais de três décadas, assistimos a uma grande transformação do corpo feminino: do exercício do prazer à busca da perfeição estética, da liberdade à submissão aos modelos, do erotismo à falta de desejo.
Não pense, caro arqueólogo, que sou uma feminista radical (com todos os estereótipos que cercaram este personagem no Brasil da segunda metade do século XX), que denuncio a obsessão feminina com o corpo perfeito, belo, jovem e magro apenas porque gostaria de também ter um. Na verdade, defendo a liberdade de escolha da mulher, em todos os domínios de sua vida, como fez Simone de Beauvoir em O Segundo Sexo, escrito em 1949. Assim, acredito que as mulheres deveriam lutar por uma liberdade fundamental: a de imaginar o próprio futuro e de ter orgulho da própria vida, demonstrar sua aceitação para com sua idade, seu corpo, sua pessoa e sua história. Concordo com a escritora americana Naomi Wolf que dizia que a eliminação dos sinais da idade dos rostos e corpos femininos deveria ter a mesma ressonância política que seria provocada se todas as imagens de negros fossem clareadas, pois equivale a apagar a identidade, o poder e o valor das mulheres. É no mínimo estranho pensar que, após décadas de lutas femininas pela liberação da opressão e pelo pleno exercício da sexualidade, após Leila Diniz tornar-se um modelo de sensualidade revolucionária com seu corpo grávido exibido nas praias cariocas, muitas mulheres aceitaram submeter-se a um novo tipo de prisão.
Só para você ter alguns dados empíricos sobre essa realidade, vou apresentar algumas observações da minha pesquisa, realizada de 1998 a 2004, com 1.279 questionários respondidos por mulheres e homens, de 17 a 50 anos, com nível universitário, moradores da cidade do Rio de Janeiro.
Ao perguntar O que mais te atrai em um homem (uma mulher)?, encontrei que o que mais atrai as mulheres em um homem é a inteligência, o corpo e o olhar. O que mais atrai os homens em uma mulher é a beleza, a inteligência e o corpo. Para a questão: O que mais te atrai sexualmente em um homem (uma mulher)?, a bunda é o que mais atrai sexualmente os homens (23%), enquanto que o tórax é a resposta mais encontrada nas mulheres (17%). Praticamente a mesma porcentagem de homens (17%) e mulheres (16%) disseram ser o corpo o que mais os atrai no sexo oposto.
Ao perguntar às mulheres: O que você mais inveja em um mulher?, elas responderam a beleza em primeiro lugar, o corpo em segundo, e a inteligência em terceiro lugar. Quando perguntei aos homens: O que você mais inveja em um homem?, tive como respostas: a inteligência, o poder econômico, a beleza e o corpo.
Não aprofundarei aqui a análise do aspecto cultural e simbólico da preferência das mulheres pelas partes superiores do corpo masculino e, inversamente, da atração dos homens pelas partes inferiores do corpo feminino, sendo a bunda a preferência nacional masculina desde que o Brasil é Brasil. Prefiro deter-me na recorrência da resposta ?o corpo? como algo invejado, desejado e admirado, não apenas pelas mulheres, mas também, expressivamente, pelos homens. O mais interessante é que em todas as questões acima a categoria corpo aparece sem nenhum adjetivo. Apenas em uma das questões da pesquisa, quando, para saber o que homens e mulheres procuravam em um relacionamento afetivo, sugeri: Se você escrevesse um anúncio com o objetivo de encontrar um parceiro, como você se descreveria? Como você descreveria o que procura em um parceiro?, este corpo apareceu nas respostas como ?definido?, ?malhado?, ?trabalhado?, ?sarado?, ?saudável?, ?atlético?, ?bonito?, entre outros.
A recorrência das respostas revela a centralidade que o corpo adquiriu para os indivíduos das camadas médias, no final do século XX e início do XXI. Este segmento social foi estudado por ter uma visão de mundo e estilo de vida que produziriam um efeito multiplicador que extravasa seus limites, podendo revelar, de forma mais geral, o processo de mudança que os papéis de gênero sofreram. Pode-se assim supor que a preocupação com o corpo alcançou mulheres de todos os segmentos da sociedade brasileira.
Outro dado da pesquisa merece destaque: 60% dos homens e 47% das mulheres afirmaram já terem sido infiéis. Nota-se que, apesar de não estarem tão distantes nesta questão, os motivos apontados para a traição foram completamente diferentes. Homens disseram trair por uma afirmação de sua virilidade, para provarem que são ?homens de verdade?. ?Instinto?, ?natureza?, ?galinhagem?, ?é um hobby?, ?testicocefalia?, ?pintou uma chance que eu não podia recusar? foram respostas presentes apenas no discurso masculino. A clássica dissociação entre sexo e afeto aparecia na maior parte dos pesquisados, apontando para a divisão feita pelos homens brasileiros entre ?mulher da casa? e ?mulher da rua?, ?santa? e ?puta?, ?lugar da família? e ?lugar do prazer sexual?. Já nas respostas femininas encontrei ?insatisfação com o parceiro?, ?vontade de experimentar?, ?falta de amor e atração?, ?auto-afirmação?, ?para levantar a auto-estima?, além de um número significativo de mulheres que foram infiéis porque não se sentiam mais desejadas pelos parceiros.
Esse comportamento feminino demonstra como o corpo teve um peso importante nos relacionamentos afetivo-sexuais e, também, em determinados comportamentos que podem ser interpretados como frutos de uma cultura que valoriza excessivamente a aparência, a juventude e a forma física. O fato de muitas mulheres traírem apenas para provar que seus corpos são capazes de seduzir demonstra uma enorme insegurança com relação a outros atributos que também poderiam ser utilizados no jogo da sedução, como a inteligência, o charme, o humor, o poder, entre tantos outros.
No que diz respeito à maneira como homens e mulheres pensavam o corpo feminino, também se percebe um grande distanciamento. As mulheres queriam seduzir homens com um corpo que estava longe da preferência masculina. O padrão de beleza desejado pelas mulheres foi construído por meio de imagens das supermodelos, que se consagraram a partir dos anos 1980 e conquistaram status de celebridade nos 1990. Doenças como anorexia e bulimia tornaram-se quase uma epidemia em uma geração que cresceu tentando imitar o corpo de Cindy Crawford, Linda Evangelista, Claudia Schiffer e a brasileira Gisele Bündchen. Só que os homens que responderam ao meu questionário elegeram como suas musas Sheila Carvalho, Luma de Oliveira, Luana Piovani, Mônica Carvalho e outras ?gostosas? que estavam longe das medidas das modelos magérrimas das passarelas.
Uma revista especializada dos Estados Unidos mostrou uma pesquisa com duzentas universitárias, das quais, um terço, independentemente de serem gordas ou magras, disseram que a imagem que o parceiro fazia do corpo delas era o mais importante durante o ato sexual. O estudo revelou que a ansiedade em relação à forma física levou muitas mulheres até mesmo a evitarem o sexo. A psicanalista inglesa Susie Orbach disse que um dos principais fatores que geraram a frustração em relação ao sexo era o modelo de beleza apregoado pela sociedade que afetava especialmente as mulheres: ?É o corpo feminino perfeito, magro e esguio. A apologia do corpo perfeito é uma das mais cruéis fontes de frustração feminina dos nossos tempos. A obsessão pela magreza virou uma epidemia. Considero a busca do corpo perfeito um retrocesso no processo de emancipação feminina. Houve apenas um breve momento de progresso das mulheres nos anos 1970. Depois disso, elas começaram a recuar, escravizadas por um modelo inalcançável de beleza. Há uma ironia nesse fato: justamente em um tempo em que as mulheres dizem querer ganhar espaço, elas procuram ficar cada vez menores e mais esquálidas?.
Dados do período demonstram que a brasileira tornou-se campeã na busca desse corpo perfeito. A revista Time chamou atenção para esse fato na capa que trouxe Carla Perez com a seguinte legenda: ?The plastic surgery craze: latin american women are sculping their bodies as never before ? along California lines. Is this cultural imperialism??. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o brasileiro, especialmente a mulher brasileira, tornou-se o povo que mais faz plástica no mundo: 350.000 pessoas submeteram-se a pelo menos um procedimento cirúrgico com finalidade estética em 2000. Em cada grupo de 100.000 habitantes, 207 pessoas foram operadas em 2000. Os Estados Unidos, tradicionais líderes do ranking, registraram 185 operados por 100.000 habitantes no ano 2000 (sendo a renda per capita americana oito vezes maior que a nossa). Mas o que tornou o Brasil especial nessa área foi ?o ímpeto com que as pessoas decidem operar-se e a rapidez com que a decisão é tomada?.
Para você, arqueólogo, ter idéia de como a obsessão feminina com o corpo foi uma das marcas culturais do Brasil na virada do século XX para o XXI, basta dar uma olhada nos inúmeros sites na internet que incentivavam a anorexia. Um exército de adolescentes usou a internet para ensinar outras jovens a serem anoréxicas, pregando a inapetência e a autopunição sempre que comerem. As páginas são assustadoras com fotografias de meninas esquálidas apontadas como modelos de beleza, dicas para enganar os pais e amigos para fingir que estão alimentadas e formas de punir-se caso comam algo que engorda. Um site brasileiro divulgou os seguintes ?mandamentos?: ?você não deve comer sem se sentir culpado. Você não deve comer algo que engorda sem se punir depois. Ser magra é mais importante do que ser saudável. Você nunca está magro demais. Ser magro é a coisa mais importante que existe?. Outras dicas são: ?Não engula! Morda, mastigue e jogue fora! Durma pouco. Dessa forma você queima mais calorias. Limpe banheiros ou ambientes bem sujos. Você perde a fome. Diga que você vai comer no quarto e jogue a comida fora. Em casa, diga que vai comer com os amigos. Aos amigos você diz que já comeu em casa?.
Em A dominação masculina, o sociólogo francês Pierre Bourdieu afirmou que os homens tendem a se mostrar insatisfeitos com as partes de seu corpo que consideram ?pequenas demais? enquanto as mulheres dirigem suas críticas às regiões de seu corpo que lhe parecem ?grandes demais?. O autor acreditava que a dominação masculina, que constitui as mulheres como objetos simbólicos, tem por efeito colocá-las em permanente estado de insegurança corporal, ou melhor, de dependência simbólica: elas existem primeiro pelo, e para, o olhar dos outros, como objetos receptivos, atraentes, disponíveis. Delas se espera que sejam ?femininas?, ou seja, sorridentes, simpáticas, atenciosas, submissas, discretas, contidas ou até mesmo apagadas. Neste caso, ser magra contribui para esta concepção de ?ser mulher?. Sob o olhar dos outros, as mulheres vêem-se obrigadas a experimentar constantemente a distância entre o corpo real, a que estão presas, e o corpo ideal, o qual procuram infatigavelmente alcançar.
Por outro lado, como lembrou Bourdieu, a estrutura impõe suas pressões aos dois termos da relação de dominação, portanto aos próprios dominantes, que são ?dominados por sua dominação?, fazendo um ?esforço desesperado, e bastante patético, mesmo em sua triunfal inconsciência, que todo homem tem que fazer para estar à altura de sua idéia infantil de homem?. Na minha pesquisa, os homens revelaram-se extremamente preocupados com a altura, força física, potência, poder, virilidade e, particularmente, com o tamanho do pênis. No início do século XXI, muitos adolescentes ficaram doentes e outros morreram porque usaram anabolizantes bovinos com o objetivo de adquirir massa muscular. Milhares escreviam para sites de psicólogos extremamente preocupados com o tamanho de seus pênis. Pode-se perceber que exigências terríveis a respeito de um determinado modelo de corpo escravizaram não apenas as mulheres mas também os homens.
O material de minha pesquisa sugere que a busca de um determinado modelo de corpo funcionava, para os indivíduos pesquisados, como uma luta simbólica imposta àqueles que não se disciplinavam para se enquadrar nos padrões exigidos. As sociedades são capazes de levar os seus membros, por meios puramente simbólicos, à doença e à morte: incutindo-lhes a perda da vontade de viver, fazendo-os deprimidos, abalando-lhes de toda forma o sistema nervoso, consumindo as suas energias físicas, marginalizando-os socialmente, privando-os de todos os pontos de referência afetivos. No caso estudado, a busca de um corpo considerado ?saudável? e ?atraente?, de acordo com os modelos socialmente legitimados, levou homens e mulheres a doenças e, também, à morte, simbólica ou até mesmo biológica.
Pode-se concluir que a aparente liberação dos corpos, sugerida por sua onipresença na publicidade, na mídia e nas interações cotidianas, nos séculos XX e XXI, tem, por trás, um ?processo civilizador?, que se empreendeu e legitimou-se por meio dela. Devido à moral da ?boa forma?, a exposição do corpo não exigia dos indivíduos apenas o controle de suas pulsões, mas, também, o (auto)controle de sua aparência física. É interessante destacar o paradoxo que o culto ao corpo gerou nesta cultura de classe média. Quanto mais se impunha o ideal de autonomia individual, mais aumentava a exigência de conformidade aos modelos sociais do corpo. Se é verdade que o corpo emancipou-se de muitas de suas antigas prisões sexuais, procriadoras ou indumentárias; ele encontrou-se, no período estudado, submetido a coerções estéticas mais imperativas e geradoras de ansiedade do que antes. A obsessão com a magreza, a multiplicação das academias de musculação, o uso de anabolizantes, testemunham o poder normalizador dos modelos, um desejo maior de conformidade estética que se chocava com o ideal individualista e sua exigência de singularização dos sujeitos.
Então, caro arqueólogo, responda às minhas questões: a mulher do futuro continua preocupada em ser magra, bela e jovem? O homem permanece com o desejo de ser alto, forte e viril? Quais são os novos modelos de corpo e saúde? Quem são as Giseles e os Gianecchinis do futuro?
MIRIAN GOLDENBERG ? é antropóloga, doutora em Antropologia Social, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora de A Outra, Toda Mulher é meio Leila Diniz, A Arte de Pesquisar, Nu & Vestido e De perto ninguém é normal(todos da editora Record).

sábado, 12 de fevereiro de 2011

uma primeira vez só minha e tua




um orgasmo gozado na tropical chuvarada
fazem os pingos soar os sinos mais que àquela entrada em Belém
é a quase perfeição, como amei o meu amor primeiro
que seque uma flor me deu
mas deu-me música de uma outra e um abraço que é só meu
de repente, de novo era frio
e uma lua gelada a pedir de mim o pão em corpo e o sangue em vinho.

chego mesmo a duvidar tivesse eu direito a tão imenso carinho,
- que fazes, amigo, amor, então comigo -
ri de minha alma alvoroçada
gargalhas e brincas, a mão já entre minhas coxas nuas,
levas os lábios meus a passear por ti, para o êxtase teu
e minha glória de tua rainha ser,
ainda que só à tarde essa e por mais um dia
aquela nossa música mais ainda tocou-me hoje
pôs-me os neurônios contra a parede da memória
o som a reunir os miolos a tinir
ah! o amor a dois, ou a quantas queiras, que me inclua
eu nua, tu em mim, sempre que queira eu e queiras tu
e que assim seja, sempre pelos dias de Olorum e Ossanha
a oferenda entregue, a entrega em adoração
a temperatura em paixão incontida incinerando o corpo em febre terçã
os beijos adiando as cinzas de quarta para o carnaval seguinte
os corpos em rubro vermelho a rolar entre sussurrados uis e ais já mais gritados
um aviso que não chegou a tempo de conter os riachos do gozo
como o pomea que se antecipa à própria palavra
que se extrai do peito em dor ou lasciva penitência e cai
em cálice d’eu já bêbada
a pressão subindo, em disparada afrouxa o riso
uma gargalhada avisando que explodiu a tampa da panela de pressão
que vai custar o olho da cara limpar o teto de todo aquele feijão
que pinga à distância do nosso coito em leito esplêndido, derramado já que é
do meu coração e das minhas tantas horas de aqui contigo
quero mais, muito mais esta brincadeira sem sustos
a boca é minha e já é todo teu o meu batom
e voltarás em prejuízo com a perda de juízo meu
e se já não gostares diga já, diga logo, mas ainda não vá
pois que me inflamas, desmantela, desconjunta e encanta.
lês minha alma inteira, toda aura de senhora que ainda serei,
de ti, se rainha ainda sou, como as boas coisas de que até Deus duvida
e, sei lá porque, nem perguntei jamais
se há mais céus em nosso amor do que no paraíso haveria
sei que és simples
sei que és assim, muito bom, como as boas coisas devam ser
não cansa ainda, não pára agora, espera, pouco mais,
amplia em mim esse sentimento lindo
aumenta o volume da música
que estou para chegar, e vai ser agora, estou quase lá,
como se fosse impossível não chegar
como se fosse eu o teu mais expressivo e lascivo poema.
quem não pudesse negar ter as entranhas em fogo,
sendo a vida breve, o tempo pouco, esse amor louco
escasso ainda para tanto desejo, tanto querer a me consumir no arder
das noites que por ti guardei, veladas a velas envolta em veludo
a ouvir vozes e estrelas, louca, desatinada, perdida no éter
a ponto de fusão, errando o próprio nome que sequer é mais só meu
é também teu e do fogo dessa paixão que de mim entende tudo,
acende-me em versos, viram-me do avesso e, por todos os portais
incendeiam o gelo, destrambelham as bússolas e as estrelas
certeiras guias que eram, erram e já indicam
o equador no pólo ao sul e eu sem norte
oh! tão gentil pessoa minha e em mim
tanto sou grata a ti que desfaleço, espreguiço
já sem medo de ter errado, sem medo de culpa alguma
queira-me sempre em minha casa, que é sua casa,
dá-me teu corpo, como fosse meu corpo, sê assim generoso então
ouvi a tua música, bebi do teu suor, perfumei-me inteira de teus cheiros
da muita bondade tua, sem mais pedir licença à tua delicadeza
emproei minha canoa no rumo das delícias do teu sexo,
da tua fortaleza, do teu vigor, do teu dedicado e delicado amor.
tão singelo assim, nem parece que foi sonho de uma tarde inteira que varou a noite, rompeu a madruga e deflorou a aurora, desvirginando todos os próximos amanhãs.
e, como foi sonho, uma primeira vez sonhada, eu nunca esquecerei.
ainda que tenha as sete vidas de uma gata e que esta sempre esteja no cio.
por isso me pego rindo, zombando de mim mesma, como se
o éter me tomasse o pulso e o vácuo me trouxesse a música
dos momentos que sonhei pensando ter vivido.
tão vívido, quem sabe, terá sido...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Lufadas ventanis

Cá mesmando estava eu
Sim, assim, por que não
Encafifada eu comigo
Era sonho nem castigo.
Daí buliu-me o bestunto
dum jeito ideável veja-se
indelével sopitado quais
os antecedidos arrebóisd
onde ficava seminua
das luas cruas antanhas
tamanhas trasmontanas
eram feitas o sol, douradas
Tal encacheadas bananas
Entanto só uvas antes foram
assim tanto quanto admiradas
até as derrubadas aventadas

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pra mim é suficiente, mas tem mais

Antonio Barreto

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo...

http://barretocordel.blogspot.com/

Salvador, 16 de janeiro de 2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Desconto de pós-natal: era aniversário de Jesus!


Espelho, espelho meu... legenda d'eu, criação de Anne Guedes

Vou aproveitar a data, o clima, a temperança, o bom-mocismo, os coraçõezinhos alados, os anjinhos, as petecas e as pererecas e confessar.
Vim aqui hoje com esse intuito, gratuito, fortuito, meio sem nome até, pra dizer umas verdades minhas pra todo mundo finalmente ficar sabendo mais de mim que eu mesma porque quando a gente fala quase não ouve o que diz e quem ouve fica sabendo mais de quem disse do que quem disse sabe o que fala.
Ora, crendice! Dirão, vocês.
Pavonice, diria eu, noutras eras, priscas eras, já tomadas pela hera...
Era uma vez uma carrocinha cheia de repolhos, eu ia dizer.

Caiu um deles, de onde rolou um guri.

Isso contou-me um anjo brabo de espada em flama, em riste.
Esse guri era meio pardinho, feito eu, queimadinho do sol, não exatamente um filho de Sabah, mas de uma Maria moreninha, ali dos lugares próximo do oriente menor, ou médio, em que ainda hoje fazem média com as pessoas não brancas de olhinhos azuis.
Ali ninguém é branco, diria uma escritora de algum estudo, que não sou eu.
Então, do repolho que rolara da carrocinha, feito num conto de fadinhas e fadinhos, apareceu um menininho que começou a andar, começou a andar e já apanhava pra isso desde cedo como aquele que vendia laranjas pro doutor, e dava umas de quebra.

Isso tá virando uma venda, com frutas e verduras...

Então o repolhinho... digo, o pimpolhinho saiu descascando umas falas com os sábios e sabia o guri demais da conta que ninguém falava mais e se admirava da fala que o guri fazia e ele também se admirava do silêncio que os velhinhos faziam.
Bem, antes disso, que já era pelos cinco a sete anos do menino, numa noite como a de hoje, assim de fim de ano, dizem uns, outros dizem nada, ele tinha sido babado por umas vaquinhas, uns boizinhos, uns cabritos, umas ovelhinhas, umas velhinhas, uns pastorezinhos e as pastorinhas, pra consolo da lua... e umas pessoas outras num estábulo, num canto de uma cidade que tinha estrela brilhante em cima... e sinos que badalavam, blém, blém, blém...
Até pelos reis, que eram magros e magos babado fora o gorducho infante.
Daí em diante,as lojas do comércio em geral tomaram conta dos tempos e templos e tudo virou griffe, moda...
E tal.

Jesus não merecia isso que lhe fazem hoje e chamam de natal.

Mas, como sou filha desse mundo criado, também espero um presentinho, bonitinho de valor... que fui bem comportadinha durante o ano que passou e ele pode chegar no dia 6, com o Terno de Reis, ou mesmo depois, porque nem Jesus nasceu no ano zero, se Herodes morrera quatro anos antes, todos já sabem, e não poderia, das catacumbas, mandar matar as criancinhas recém-nascidas, como dizem alguns livros, pra impedir a chegada do rei dos reis dos reis, rei, rei, hei, embora não chegasse ainda naqueles dias o tal de trenó carregado por renas com o Nicolau Klaus à bordo.
Santé!


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sábado, 25 de dezembro de 2010

ONU proclama 2011 Ano Internacional pra Afro-Descendentes


Tela de Marihê

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque.

* 10/12/2010



As Nações Unidas lançaram, nesta sexta-feira em Nova Iorque, o Ano Internacional para Descendentes de Africanos.

Em mensagem à Assembleia-Geral, Ban Ki-moon diz que o evento pretende reforçar o compromisso político para erradicar a discriminação.

As Nações Unidas lançaram, nesta sexta-feira em Nova York, o Ano Internacional para Descendentes de Africanos.

Erradicar a discriminação
Num discurso, o Secretário-Geral, Ban Ki-moon explicou o objetivo do evento, que será marcado em 2011.

Diversidade

Segundo ele, o Ano Internacional tentará fortalecer o compromisso político de erradicar a discriminação a descendentes de africanos. A iniciativa também quer promover o respeito à diversidade e herança culturais.

Numa entrevista à Rádio ONU, de Cabo Verde, antes do lançamento, o historiador guineense Leopoldo Amado, falou sobre a importância de se conhecer as origens africanas ao comentar o trabalho feito com quilombolas no Brasil.

Dimensão

"Esses novos quilombolas têm efetivamente o objetivo primordial de fortalecer linhas de contato. No fundo restituir-se. Restituir linhas de contatos, restituir aquilo que foi de alguma forma quebrada, aquilo que foi de alguma forma confiscada dos africanos, que é a possibilidade de reestabelecer a ligação natural entre aqueles que residem em África, que continuam a residir em África e a dimensão diaspórica deste mesmo resgate. A dimensão diaspórica da África é efetivamente larga e grande", disse.

Ban lembrou que pessoas de origem africana estão entre as que mais sofrem com o racismo, além de ter negados seus direitos básicos à saúde de qualidade e educação.

Declaração de Durban

A comunidade internacional já afirmou que o tráfico transatlântico de escravos foi uma tragédia apavorante não apenas por causa das barbáries cometidas, mas pelo desrespeito à humanidade.

O Secretário-Geral finalizou a mensagem sobre o Ano Internacional para os Descendentes de Africanos, lembrando a Declaração de Durban e o Programa de Ação que pede a governos para assegurar a integração total de afro-descedentes em todos os aspectos da sociedade.

FONTE: Site da ONU

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Não esqueçam: é o aniversário de Jesus.



Vou aproveitar a data, o clima, a temperança, o bom-mocismo, os coraçõezinhos alados, os anjinhos, as petecas e as pererecas e confessar.
Vim aqui hoje com esse intuito, gratuito, fortuito, meio sem nome até, pra dizer umas verdades minhas pra todo mundo finalmente ficar sabendo mais de mim que eu mesma porque quando a gente fala quase não ouve o que diz e quem ouve fica sabendo mais de quem disse do que quem disse sabe o que fala.
Ora, crendice! Dirão, vocês.
Pavonice, diria eu noutras eras, priscas eras, já tomadas pela hera...
Era uma vez uma carrocinha cheia de repolhos, eu ia dizer.
Caiu um deles, de onde rolou um guri.
Isso contou-me um anjo brabo de espada em flama, em riste.
Esse guri era meio pardinho, feito eu, queimadinho do sol, não exatamente um filho de Sabah, mas de uma Maria moreninha, ali dos lugares próximo do oriente menor, ou médio, em que ainda hoje fazem média com as pessoas não brancas de olhinhos azuis.
Ali ninguém é branco, diria uma escritora de algum estudo, que não sou eu.
Então, do repolho que rolara da carrocinha, feito num conto de fadinhas e fadinhos, apareceu um menininho que começou a andar, começou a andar e já apanhava pra isso desde cedo como aquele que vendia laranjas pro doutor, e dava umas de quebra.

Isso tá virando uma venda, com frutas e verduras...
Então o repolhinho... digo, o pimpolhinho saiu descascando umas falas com os sábios e sabia o guri demais da conta que ninguém falava mais e se admirava da fala que o guri fazia e ele também se admirava do silêncio que os velhinhos faziam.
Bem, antes disso, que já era pelos cinco a sete anos do menino, numa noite como a de hoje, assim de fim de ano, dizem uns, outros dizem nada, ele tinha sido babado por umas vaquinhas, uns boizinhos, uns cabritos, umas ovelhinhas, umas velhinhas, uns pastorezinhos e as pastorinhas, pra consolo da lua... e umas pessoas outras num estábulo, num canto de uma cidade que tinha estrela brilhante em cima... e sinos que badalavam, blém, blém, blém...
Até pelos reis, que eram magros e magos babado fora o gorducho infante.
Daí em diante,
As lojas do comércio em geral tomaram conta dos tempos e templos e tudo virou griffe, moda...
E tal.
Jesus não merecia isso que lhe fazem hoje e chamam de natal.
Mas, como sou filha desse mundo criado, também espero um presentinho, bonitinho de valor... que fui bem comportadinha durante o ano que passou

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mais miolo de pote

Há qualidade no miolo

É o vazio que olho

Não que seja caolha

É que lá nada há,

lá, lá, lá...

Está bloqueada a passagem

Nem falam de rachaduras

É pura miragem esse mel

Mais pra rapadura que fel

Todos estão certos

Estou errando

Quem mais errará

Se e quando a chuva parar

Estou certa e enquadrada

Desentupindo o ralo

Lembrando miolo de pote

Da cobra que deu bote

Da tirania déspota do trote

Tudo que seja cor desbota

Uma pisada de bota na bosta

Ninguém vai passar por aqui

O cheiro não é de jasmim

Continuarei vazia, sim

No fundo de mim, o buraco, rio

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

tem dias que até à noite é difudê!!


pensei em ir, não fui, nem vim, fiquei na metade

Tem dias que parece até mais dois


eu, cotia


comendo melancia na casa vazia




tem umas noites que parecem metade


eu, vazia, já titia


comendo nada, nem ninguém depois

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Uma coisa estranha aconteceu na noite passada em Natal

por Miguel Nicolelis*,
especial para o Viomundo

Desde que cheguei ao Brasil, há duas semanas, eu vinha sentindo uma sensação muito estranha. Como se fora acometido por um ataque contínuo da famosa ilusão, conhecida popularmente como déjà vu, eu passei esses últimos 15 dias tendo a impressão de nunca ter saído de casa, lá na pacata Chapel Hill, Carolina do Norte, Estados Unidos.

Mas como isso poderia ser verdade? Durante esse tempo todo eu claramente estava ou São Paulo ou em Natal. Todo mundo ao meu redor falava português, não inglês. Todo mundo era gentil. A comida tinha gosto, as pessoas sorriam na rua. No aeroporto, por exemplo, não precisava abrir a mala de mão, tirar computador, tirar sapato, tirar o cinto, ou entrar no scan de corpo todo para provar que eu não era um terrorista.

Ainda assim, com todas essas provas evidentes de que eu estava no Brasil e não nos EUA, até no jogo do Palmeiras, no meio da imortal “porcada”, a sensação era a mesma: eu não saí da América do Norte! Mesmo quando faltou luz na Arena de Barueri durante o jogo, porque nem a 25 km da capital paulista a Eletropaulo consegue garantir o suprimento de energia elétrica para um prélio vital do time do coração do ex-governador do estado (aparentemente ninguém vai muito com a cara dele na Eletropaulo. Nada a ver com o Palmeiras), eu consegui me sentir à vontade.

Custou-me muito a descobrir o que se sucedia.

Porém, ontem à noite, durante o debate dos candidatos a Presidência da República na Rede Record, uma verdadeira revelação me veio à mente.

De repente, numa epifania, como poucas que tive na vida, tudo ficou muito claro. Tudo evidente. Não havia nada de errado com meus sentidos, nem com a minha mente. Havia, sim, todo um contexto que fez com que o meu cérebro de meia idade revivesse anos de experiências traumatizantes na América do Norte.

Pois ali na minha frente, na TV, não estava o candidato José Serra, do PSDB, o “partido do salário mais defasado do Brasil”, como gostam de frisar os sofridos professores da rede pública de ensino paulistana, mas sim uma encarnação perfeita, mesmo que caricata, de um verdadeiro George Bush tropical. Para os que estão confusos, eu me explico de imediato. Orientado por um marqueteiro que, se não é americano nato, provavelmente fez um bom estágio na “máquina de moer carne de candidatos” em que se transformou a indústria de marketing político americano, o candidato Serra tem utilizado todos os truques da bíblia Republicana.

Como estudante aplicado que ainda não se graduou (fato corriqueiro na sua biografia), ele está pronto para realizar uns “exames difíceis” e ser aceito para uma pós-graduação em aniquilação de caracteres em alguma universidade de Nova Iorque.

Ao ouvir e ver o candidato, ao longo dessas duas semanas e no debate de ontem à noite, eu pude identificar facilmente todos os truques e estratégias patenteados pelo partido Republicano Americano.

Pasmem vocês, nos últimos anos, essa mensagem rasa de ódio, preconceito, racismo, coberta por camadas recentes de fé e devoção cristã, tem sido prontamente empacotada e distribuída para o consumo do pobre povo daquela nação, pela mídia oficial que gravita ao seu redor.

Para quem, como eu, vive há 22 anos nos EUA, não resta mais nenhuma dúvida. Quem quer que tenha definido a estratégia da campanha do candidato Serra decidiu importar para a disputa presidencial brasileira tanto a estratégia vergonhosa e peçonhenta da “vitória a qualquer custo”, como toda a truculência e assalto à verdade que têm caracterizado as últimas eleições nos Estados Unidos.

Apelando invariavelmente para o que há de mais sórdido na natureza humana, nessa abordagem de marketing político nem os fatos, nem os dados ou as estatísticas, muito menos a verdade ou a realidade importam.

O objetivo é simplesmente paralisar o candidato adversário e causar consternação geral no eleitorado, através de um bombardeio incessante de denúncias (verdadeiras ou não, não faz diferença), meias calúnias, ou difamações, mesmo que elas sejam as mais absurdas possíveis.

Assim, de repente, Obama não era mais americano, mas um agente queniano obcecado em transformar a nação americana numa república islâmica. Como lá, aqui Dilma Rousseff agora é chamada de búlgara, em correntes de emails clandestinos.

Como os EUA de Bill Clinton, apesar de o país ter experimentado o maior boom econômico em recente memória, foi vendido ao povo americano como estando em petição de miséria pelo então candidato de primeira viagem George Bush.

Aqui, o Brasil de Lula, que desfruta do melhor momento de toda a sua história, provavelmente desde o período em que os últimos dinossauros deixaram suas pegadas no que é hoje o município de Sousa, na Paraíba, passa a ser vendido como um país em estado de caos perpétuo, algo alarmante mesmo.

Ao distorcer a verdade, os fatos, os números e, num último capítulo de manipulação extremada, a própria percepção da realidade, através do pronto e voluntário reforço do bombardeio midiático, que simplesmente repete o trololó do candidato (para usar o seu vernáculo favorito), sem crítica, sem análise, sem um pingo de honestidade jornalística, busca-se, como nos EUA de George Bush e do partido Republicano, vender o branco como preto, a comédia como farsa.

Não interessa que 26 milhões de brasileiros tenham saído da miséria. Nem que pela primeira vez na nossa história tenhamos a chance de remover o substantivo masculino “pobre” dos dicionários da língua portuguesa. Não faz a menor diferença que 15 milhões de novos empregos tenham sido criados nos últimos anos. Ou que, pela primeira vez desde que se tem notícia, o Brasil seja respeitado por toda a comunidade internacional.

Para o candidato da oposição esse número insignificante de empregos é, na sua realidade marciana, fruto apenas de uma maior fiscalização que empurrou com a barriga do livro de multas 10 milhões de pessoas para o emprego formal desde o governo do imperador FHC.

Nada, nem a realidade, é capaz de impressionar os fariseus e arautos que estão sempre prontos a denegrir o sucesso desse país de mulatos, imigrantes e gente que trabalha e batalha incansavelmente para sobreviver ao preconceito, ao racismo, à indiferença e à arrogância daqueles que foram rejeitados pelas urnas e vencidos por um mero torneiro mecânico que virou pop star da política internacional.

Nada vai conseguir remover o gosto amargo desse agora já fato histórico, que atormenta, como a dor de um membro fantasma, o ego daqueles que nunca acreditaram ser o povo brasileiro capaz de construir uma nação digna, justa e democrática com o seu próprio esforço. Como George Bush ao Norte, o seu clone do hemisfério sul não governa para o povo, nem dele busca a sua inspiração. A sua busca pelo poder serve a outros interesses; o maior deles, justiça seja feita, não é escuso, somente irrelevante, visto tratar-se apenas do arquivo morto da sua vaidade, o maior dos defeitos humanos, já dizia dona Lygia, minha santa avó anarquista.

Para esse candidato, basta-lhe poder adicionar no currículo uma linha que dirá: Presidente do Brasil (de tanto a tanto). Vaidade é assim, contenta-se com pouco, desde que esse pouco venha embalado num gigantesco espelho.

Voltando à estratégia americana de ganhar eleições, numa segunda fase, caso o oponente sobreviva ao primeiro assalto, apela-se para outra arma infalível: a evidente falta de valores cristãos do oponente, manifestada pela sua explícita aquiescência para com o aborto; sua libertinagem sexual e falta de valores morais, invariavelmente associada à defesa do fantasma que assombra a tradição, família e propriedade da direita histérica, representado pela tão difamada quanto legítima aprovação da união civil de casais homossexuais.

Nesse rolo compressor implacável, pois o que vale é a vitória, custe o que custar, pouco importa ao George Bush tupiniquim que milhares de mulheres humildes e abandonadas morram todos os anos, pelos hospitais e prontos-socorros desse Brasil afora, vítimas de infecções horrendas, causadas por abortos clandestinos.

George Bush, tanto o original quanto o genérico dos trópicos, provavelmente conhece muitas mulheres do seu meio que, por contingências e vicissitudes da vida, foram forçadas a abortos em clínicas bem equipadas, conduzidas por profissionais altamente especializados, regiamente pagos para tal prática.

Nenhum dos dois George Bushes, porém, jamais deu um plantão no pronto-socorro do Hospital das Clínicas de São Paulo e testemunhou, com os próprios olhos e lágrimas, a morte de uma adolescente, vítima de septicemia generalizada, causada por um aborto ilegal, cometido por algum carniceiro que se passou por médico e salvador.

Alguns amigos de longa data, que também vivem no exterior, andam espantados com o grau de violência, mentiras e fraudes morais dessa campanha eleitoral brasileira. Alguns usam termos como crime lesa pátria para descrever as ações do candidato do Brasil que não deu certo, seus aliados e a grande mídia.

Poucos se surpreenderam, porém, com o fato de que até o atentado da bolinha de papel foi transformado em evento digno de investigação no maior telejornal do hemisfério sul (ou seria da zona sul do Rio de Janeiro? Não sei bem).

No caso em questão, como nos EUA, a dita grande imprensa que circunda a candidatura do George Bush tupiniquim acusa o Presidente da República de não se comportar com apropriado decoro presidencial, ao tirar um bom sarro e trazer à tona, com bom humor, a melhor metáfora futebolística que poderia descrever a farsa.

Sejamos honestos, a completa fabricação, desmascarada em verso, prosa e análise de vídeo, quadro a quadro, por um brilhante professor de jornalismo digital gaúcho.

Curiosamente, a mesma imprensa e seus arautos colunistas não tecem um único comentário sobre a gravidade do fato de ter um pretendente ao cargo máximo da República ter aceitado participar de uma clara e explicita fabricação.

Ou será que esse detalhe não merece algumas mal traçadas linhas da imprensa? Caso ainda estivéssemos no meio de uma campanha tipicamente brasileira, o já internacionalmente famoso “atentado da bolinha de papel” seria motivo das mais variadas chacotas e piadas de botequim. Mas como estamos vivendo dentro de um verdadeiro clone das campanhas americanas, querem criminalizar até a bolinha de papel.

Se a moda pega, só eu conheço pelo menos uns dez médicos brasileiros, extremamente famosos, antigos colegas de Colégio Bandeirantes e da Faculdade de Medicina da USP, que logo poderiam estar respondendo a processos por crimes hediondos, haja vista terem sido eles famosos terroristas do passado, que se valiam, não de uma, mas de uma verdadei ra enxurrada, dessas armas de destruição em massa (de pulgas) para atingir professores menos avisados, que ousavam dar de costas para tais criminosos sem alma.

Valha-me Nossa Senhora da Aparecida — certamente o nosso George Bush tupiniquim aprovaria esse meu apelo aos céus –, nós, brasileiros, não merecemos ser a próxima vítima do entulho ético do marketing eleitoral americano.

Nós merecemos algo muito melhor. Pode parecer paranoia de neurocientista exilado, mas nos EUA eu testemunhei como os arautos dessa forma de fazer política, representado pelo George Bush original e seus asseclas, conseguiram vender, com grande sucesso e fanfarra, uma guerra injustificável, que causou a morte de mais de 50 mil americanos e centenas de milhares de civis iraquianos inocentes.

Tudo começou com uma eleição roubada, decidida pela Corte Suprema. Tudo começou com uma campanha eleitoral baseada em falsas premissas e mentiras deslavadas. A seguir, o açodamento vergonhoso do medo paranóico, instilado numa população em choque, com a devida colaboração de uma mídia condescendente e vendida, foi suficiente para levar a maior potência do mundo a duas guerras imorais que culminaram, ironicamente, no maior terremoto econômico desde a quebra da bolsa de 1929.

Hoje os mesmos Republicanos que levaram o país a essas guerras irracionais e ao fundo do poço financeiro acusam o Presidente Obama de ser o responsável direto de todos os flagelos que assolam a sociedade americana, como o desemprego maciço, a perda das pensões e aposentadorias, a queda vertiginosa do valor dos imóveis e a completa insegurança sobre o que o futuro pode trazer, que surgiram como conseqüência imediata das duas catastróficas gestões de George Bush filho.

Enquanto no Brasil criam-se 200 mil empregos por mês, nos EUA perdem-se 200 mil empregos a cada 30 dias. Confrontado com números como esses, muitos dos meus vizinhos em Chapel Hill adorariam receber um passaporte brasileiro ou mesmo um visto de trabalho temporário e mudar-se para esse nosso paraíso tropical.

Eles sabem pelo menos isto: o mundo está mudando rapidamente e, logo, logo, no andar dessa carruagem, o verdadeiro primeiro mundo vai estar aqui, sob a luz do Cruzeiro do Sul!

Fica, pois, aqui o alerta de um brasileiro que testemunhou os eventos da recente história política americana em loco. Hoje é a farsa do atentado da bolinha de papel.
Parece inofensivo.
Motivo de pilhéria.
Eu, como gato escaldado, que já viu esse filme repulsivo mais de uma vez, não ficaria tão tranqüilo, nem baixaria a guarda.

Quem fabrica um atentado, quem se apega ou apela para questões de foro íntimo, como a crença religiosa (ou sua inexistência), como plataforma de campanha hoje, é o mesmo que, se eleito, se sentirá livre para pregar peças maiores, omitir fatos de maior relevância e governar sem a preocupação de dar satisfações àqueles que, iludidos, cometeram o deslize histórico de cair no mais terrível de todos os contos do vigário, aquele que nega a própria realidade que nos cerca.

Aliás, ocorre-me um último pensamento. A única forma do ex-presidente (Imperador?) Fernando Henrique Cardoso demonstrar que o seu governo não foi o maior desastre político-econômico, testemunhado por todo o continente americano, seria compará-lo, taco a taco, à catastrófica gestão de George Bush filho.

Sendo assim, talvez o candidato Serra tenha raciocinado que, como a sua probabilidade de vitória era realmente baixa, em último caso, ele poderia demonstrar a todo o Brasil quão melhor o governo FHC teria sido do que uma eventual presidência do George Bush genérico do hemisfério sul. Vão-se os anéis, sobram os dedos. Perdido por perdido, vamos salvar pelo menos um amigo. Se tal ato de solidariedade foi tramado dentro dos circuitos neurais do cérebro do candidato da oposição (truco!), só me restaria elogiá-lo por este repente de humildade e espírito cristão.

Ciente, num raro momento de contrição, de que algumas das minhas teorias possam ter causado um leve incômodo, ou mesmo, talvez, um passageiro mal-estar ao candidato, eu ousaria esticar um pouco do meu crédito junto a esse grande novo porta-voz do cristianismo e fazer um pequeno pedido, de cunho pessoal, formulado por um torcedor palmeirense anônimo, ao candidato da oposição. O pedido, mais do que singelo, seria o seguinte:
Candidato, será que dá pro senhor pedir pro governador Goldman ou pro futuro governador Dr. Alckmin para eles não desligarem a luz da Arena Barueri na semana que vem? Como o senhor sabe, o nosso Verdão disputa uma vaguinha na semifinal da Copa Sulamericana e, aqui entre nós, não fica bem outro apagão ser mostrado para todo esse Brazilzão, iluminado pelo Luz para Todos, do Lula.

Afinal de contas, se ocorrer outro vexame como esse, o povão vai começar a falar que se o senhor não consegue nem garantir a luz do estádio pro seu time do coração jogar, como é que pode ter a pretensão de prometer que vai ter luz para todo o resto desse país enorme? Depois, o senhor vem aqui e pergunta por que eu vou votar na Dilma? Parece abestalhado, sô!
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* Miguel Nicolelis é um dos mais importantes neurocientistas do mundo. É professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e criador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal, (RN). Em 2008, foi indicado ao Prêmio Nobel de Medicina.
Matéria tirada do Viomundo - O que você não vê na mídia - http://www.viomundo.com.br
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